Após a melhor participação brasileira da história dos jogos Pan-Americanos, não podemos esquecer o que foi ruim e nem extremar as coisas positivas.O Brasil pode orgulhar-se de ter realizado os jogos Pan-Americanos de maneira muito satisfatória. Não se pode achar que o país não tenha condições de sediar Jogos Olímpicos ou Copa do Mundo por alguns defeitos apresentados no Rio 2007.
Tampouco devemos esquecer esses pequenos defeitos e achar que está tudo pronto para outros eventos de maior porte.
Nós, brasileiros, temos muito este tipo de comportamento. Se ganha ou dá certo alguma coisa, somos os melhores do mundo. Quando perde, chega em segundo lugar ou algo da errado o time, atleta ou país é uma porcaria.
Acredito que na parte técnica e das instalações, pelo que escutei os atletas falarem, a organização do PAN foi perfeita. Quadras esportivas maravilhosas, pista de atletismo que encantou e piscinas perfeitas para obtenção de bons resultados.
O Maracanãzinho ficou muito bom e os próprios atletas disseram que não reconheciam o ginásio. Telões de quatro faces, climatização, enfim, tudo de primeiro mundo.
Jadel Gregório declarou que todos os atletas estavam falando tão bem do Engenhão e da pista de atletismo que ele retardou a hora de entrar na pista, ficou se aquecendo na parte de fora para que tivesse um impacto positivo somente no momento de competir.
As piscinas não ficaram devendo nada. O nadador brasileiro César Cielo disse que elas são perfeitas. Que o Brasil já tinha as piscinas curtas, de 25m muito boas, mas agora, com essas de 50m oficiais para recordes e obtenção de índices, o país pode considerar que tem a melhor piscina do mundo. E que elas devem ser oficializadas para a obtenção de índices no futuro.
No que tange a parte ambiental e estrutural a cidade do Rio ficou devendo um pouco. Relembremos que a nadadora Poliana Okimoto ficou fora das provas de piscina porque, na travessia do mar, ela engoliu muita água e teve virose, comprovada por médicos que foi causada pelo excesso de coliformes fecais ingeridos. A Lagoa Rodrigo de Freitas também não estava com as condições ideais e gerou reclamação por parte dos atletas.
Isso poderia ter uma repercussão maior se fosse em uma Olimpíada e tivesse ocorrido com um atleta famoso estrangeiro.
Quanto as resultados, também devemos ter muita cautela. Não adianta o Galvão Bueno querer convencer a todos que o Brasil deu um show no basquete ou futebol feminino, por exemplo. No basquete, as equipes de Porto Rico, Argentina e EUA não vieram com seus melhores atletas. Em Alguns casos nem a equipe reserva. Semelhante ao que ocorreu com o futebol e basquete feminino onde os EUA enviaram a seleção SUB-20.
Em ambos os casos, as americanas seriam as grandes concorrentes do Brasil. No Boxe tivemos desertores de Cuba, o que facilitou a vida de alguns atletas, no tênis não teve atletas de ponta. E assim por diante.
Devemos comemorar sim os resultados, mas como tudo na vida, analisar de uma forma fria. Que esses resultados sirvam para incentivar a prática de esporte, muitos deles desconhecidos da grande maioria, que sirvam para que os atletas e modalidades consigam captar patrocínio e não ajuda simplesmente. Enfim, que o país saiba capitalizar esses resultados. Porém, esportivamente falando, o importante e a medida correta da capacidade de nossos atletas será feita o ano que vem em Pequim.
O mais importante é fiscalizar e saber o que será feito das instalações caríssimas que foram feitas. Há que se ter um programa de manutenção e utilização daquilo tudo, caso contrário, estaremos desperdiçando potencial e chance de dar seqüência a todo o trabalho.
Resumindo, se considerarmos as belíssimas cerimônias de abertura e encerramento, a boa segurança que era um temor, os resultados, a melhora em relação ao que foi mostrado em Santo Domingo 2003, podem considerar que o PAN Rio 2007 foi um sucesso. Com poucas exceções, tudo funcionou bem e dentro do esperado.
Agora para pensar em algo maior como Olimpíadas, temos que melhorar e muito a questão de comunicação, hotelaria, transporte, vendas de ingressos e parte ambiental.
Não podemos esquecer que, em uma Olimpíada, serão pessoas vindas de todo o mundo e atletas de ponta, o melhores em todas as modalidades.